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Esportes




15/05/2011


Com direito a drama no fim, Peixe

conquista o bi em cima do Timão

Com um gol inédito de Arouca, que nunca havia marcado pelo Alvinegro, e outro de Neymar, em falha de Julio Cesar, Santos leva 19ª taça estadual


por Adilson Barros, Carlos Augusto Ferrari e Julyana Travaglia
Foi dramático, como final normalmente é. Chuva fina, campo molhado, falhas de goleiros. Nervosismo, tensão e, finalmente, explosão. O Santos é bicampeão paulista. Um título histórico, o primeiro conquistado em uma decisão de fato na Vila Belmiro. E mais especial ainda para os santistas: em cima do Corinthians, o maior rival. A vitória por 2 a 1, neste domingo, deu ao Peixe seu 19º título estadual e confirmou a vocação vitoriosa da nova geração de Meninos da Vila, capitaneada por Neymar.
O primeiro tempo foi do Santos. Não por acaso, o time da casa abriu o placar aos 16 minutos, com Arouca. Ele mesmo, o volante que não marcava desde o dia 30 de outubro de 2008, quando garantiu a vitória do Fluminense sobre o Figueirense, por 1 a 0, no Campeonato Brasileiro. Durante a semana, o volante chegou a dizer que sonhava marcar seu primeiro gol com a camisa branca numa final de campeonato. Profecia realizada.
Ranking de títulos paulistas
Corinthians26
Palmeiras22
São Paulo21
Santos19
Antes desse gol, o Peixe já havia chegado perto aos sete minutos, em um chute cruzado de Léo. O Corinthians, embora tivesse mais a bola, tinha dificuldades para criar jogadas. Liedson, isolado, saía demais da área. Jorge Henrique e Dentinho mal foram vistos em campo, presas fáceis para a ótima marcação santista. Aos 20 minutos, preocupação para o Santos. Jonathan correu para fazer uma cobertura e sentiu uma fisgada na coxa direita. Foi substituído por Pará. O nível do time não caiu.
Adriano, leão de chácara da zaga praiana, não deixou Bruno César em paz. Ganhou todas as divididas e mostrou rapidez de raciocínio nas antecipações. Com isso, o Santos passou a criar muitas chances. Aos 34, Arouca acertou a trave com uma bomba de pé direito, aproveitando rebote numa cobrança de escanteio. Acuado, o Corinthians apelava para chutões em direção da área. Sem sucesso. Tanto que Rafael terminou o primeiro tempo sem praticar defesas difíceis.
neymar santos x corinthians taça (Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com)
Jogadores do Santos com a taça de campeão paulista de 2011 (Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com)
A marcação santista era eficiente também porque Alan Patrick e Zé Eduardo voltavam para batalhar a bola, dando um refresco aos volantes. Neymar, mais à frente, driblava de um lado para o outro e dava bons passes, como o que acertou aos 39 para Alan Patrick. A bola veio por cima e o meia tentou completar de primeira. Mandou por cima do gol.
Na arquibancada, os torcedores do Santos empurravam o time criando um ambiente que misturava alegria e tensão. Os corintianos, em minoria, chegaram a se calar no momento do gol santista, mas passaram a cantar, empurrando o time para a virada. Era o Peixe, porém, quem estava mais perto do segundo.
Aos 43, Neymar apareceu livre pela esquerda. A zaga corintiana parou pedindo impedimento. A arbitragem mandou o lance seguir. O astro santista chegou de frente para Julio Cesar e não conseguiu concluir bem. Tentou um chute no vácuo, no estilo do palmeirense Valdivia, balançou o corpo, mas o camisa 1 do rival se manteve parado. Numa última tentativa, Neymar buscou o vão entre as pernas do corintiano, mas errou o alvo. A bola bateu no adversário e saiu.
Corinthians tenta apertar, mas Santos se segura
Novamente, o Corinthians passou a maior parte do tempo com a bola na etapa complementar. Rondou mais a área santista, trocou mais passes, mas tinha extrema dificuldade até para dominar a bola. Jorge Henrique não conseguia se aproximar de Liedson, que, sozinho, lutava no meio dos defensores santistas. A única chance mais clara para a equipe visitante saiu aos 14 minutos, quando Willian pegou rebote da zaga e emendou um tiro forte de direita. Rafael espalmou para a frente. Durval completou o corte.
O Santos, retraído, tentava encaixar um contra-ataque. Faltava, porém, alguém para acertar o passe final. Alan Patrick não conseguia dar sequência aos lances. Neymar, sozinho à frente, corria de um lado para o outro, só via a bola chegar pelo alto. Elano, que poderia armar, estava atuando como volante. Na única vez que o craque conseguiu dominar a bola, levou perigo. Ele recebeu pela esquerda e veio cortando para o meio. Rolou para Elano, que entrava livre. O chute, rasteiro e cruzado, foi para fora.
O jogo se tornava perigoso para o Santos. Preso demais lá atrás, a equipe de Muricy Ramalho apenas se segurava. A chuva apertou, o que deu uma maior carga de dramaticidade à partida.
À medida que o tempo passava, a pressão corintiana aumentava. O Timão se lançava inteiro para o ataque, abrindo enormes espaços para o Peixe revidar. Os atacantes do time da Baixada, porém, estavam extenuados. De repente, Neymar. Aos 38, ele recebeu pela esquerda, arrancou em velocidade. Mas, cansado, arrematou bem fraco. O chute, rasteiro e colocado, morreria fácil nas mãos de Julio Cesar. No entanto, o goleiro, em um lance de extrema infelicidade, deixou a bola escapar. Ela demorou eternos segundos para ultrapassar a linha, caprichosa, dramática, para fazer a Vila Belmiro explodir.
neymar santos x corinthians comemoração (Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com)
Autor do segundo gol, Neymar não se cansa de festejar (Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com)
A torcida santista já gritava "é campeão", mas o jogo ainda não havia acabado. Aos 41, foi a vez de Rafael falhar. O goleiro, que estava seis jogos sem sofrer gols, saiu mal e Morais aproveitou, diminuindo a vantagem santista. Não havia tempo para mais nada porém. O Alvinegro se segurou lá atrás e esperou o apito final para comemorar o título.
SANTOS 2 X 1 CORINTHIANS
Rafael, Jonathan (Pará), Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Adriano, Arouca, Elano e Alan Patrick (Possebon); Neymar e Zé Eduardo.Julio Cesar, Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho (Ramires), Bruno César (Morais) e Jorge Henrique; Dentinho (Willian) e Liedson.
Técnico: Muricy RamalhoTécnico: Tite
Gols: Arouca, aos 16 minutos do primeiro tempo; Neymar, 38, Morais, 41 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Chicão, Fábio Santos, Liedson (Corinthians), Elano, Pará, Léo (Santos)
Local: Vila Belmiro. Data: 15/5/2011. Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira. Auxiliares: Luiz Flávio serão David Botelho Barbosa e Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo. Renda e público: R$ 745.610,00 público: 14.322



Recuperado de frustrações, Tite vê título 

paulista como selo de qualidade

14/05/2011

Técnico fala sobre perda do Brasileirão, vexame na Libertadores e afirma: ‘Temos totais condições de vencer o Santos na Vila Belmiro


Por Leandro Canônico e Sergio Gandolphi
São Paulo
Tite fala com empolgação da final contra o Santos e não esconde em nenhum momento que o título do Campeonato Paulista serviria como redenção para o Corinthians. Especialmente para ele, que sentiu demais a perda do Campeonato Brasileiro do ano passado e a vexatória eliminação na Taça Libertadores.
Mas na véspera da final de domingo, às 16h, na Vila Belmiro, o treinador corintiano quer deixar esse histórico de lado. Tite prefere exaltar seus números no comando da equipe (32 jogos, 17 vitórias, 11 empates, quatro derrotas e 64,5% de aproveitamento). Mas eles valerão muito mais com o tal “selo de qualidade”.
- O título pode ser a cereja do bolo, o selo de qualidade. Vai afirmar todo um trabalho – declarou o treinador, em entrevista exclusiva ao Globoesporte.com.
Em um bate papo no CT Joaquim Grava, o técnico do Corinthians falou também sobre sua identificação com o Timão, dos jogadores alvinegros que podem fazer a diferença na decisão e que briga de igual para igual com os principais treinadores do país. Confira abaixo a íntegra da conversa com Tite.
Globoesporte.com: O que representa a chance de conquistar o primeiro título pelo clube?
Tite: Eu digo assim: cada trabalho e cada passagem têm a sua característica. Completo no domingo 33 jogos no comando da equipe. E no Corinthians, isso é tempo suficiente para fazer uma análise. Tenho o melhor retrospecto dos últimos anos (com 64,5%. Ao lado de Mano Menezes, é o segundo melhor desde 2005). O título pode ser a cereja do bolo, o selo de qualidade. Vai afirmar todo um trabalho.
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TITE NO COMANDO DO TIMÃO
VITÓRIAS17
EMPATES11
DERROTAS4
Você é apegado ao Corinthians, será mais especial um título pela equipe?
Mais do que ter tido duas passagens aqui, o melhor é a forma como fui recebido em ambas. Você cria um vínculo maior. Deixa de ser apenas mais um profissional para ser parte integrada dos objetivos da equipe. Por mais que você saiba que não vai ficar muito tempo, porque é a cultura do futebol brasileiro, acaba se entregando. E como diz o Paulo Autuori: todos gostam de ser bem quistos.
O Corinthians, então, é um dos clubes mais vibrantes que dirigiu?
Com certeza, com certeza.
Em semana de decisão, o que muda na rotina do clube?
Nada. Não muda nada. Eu, pelo menos, não procuro alterar a rotina. O que muda são as expectativas, as emoções, a adrenalina.
Espero que o time tenha maturidade para ser campeão"
Tite
E como fazer para essa adrenalina não virar nervosismo?
Temos de trazer o foco para o trabalho, pensar no dia, fazer o trabalho de forma intensa, com qualidade e concentração. É errado dizer que treino é treino e jogo é jogo. Para mim, não é! Jogo e treino devem ser parecidos em nível de concentração, intensidade, envolvimento e qualidade.
O que foi mais frustrante: perder o Brasileirão ou a Libertadores?
No Brasileirão, o meu desempenho em oito jogos, com cinco vitórias e três empates (62,5%), foi superior ao do Fluminense campeão (62,2%). Isso é frustrante. Mas fomos para Libertadores. Aí, em 19 dias, nós reestruturamos a equipe e tentamos dar condições técnicas e físicas para ela. Mas o Tolima foi melhor, mais competente e nos eliminou. Baixamos a cabeça, lambemos a ferida e levantamos. Estamos agora em um jogo final. E espero que o time tenha maturidade para ser campeão.
Vencer o Santos, um dos melhores times do Brasil, é seu maior desafio?
O Corinthians mostrou no último domingo que pode vencer o Santos. Essa para mim foi a marca do jogo. Teve equilíbrio, sim, mas tivemos 18 finalizações. E todas com perigo de gol. Mas nos faltou uma precisão maior. Se tivéssemos em uma tarde mais feliz, mais competente, mais precisa, teríamos vencido. É um grande desafio, sim, mas temos totais condições de vencer o Santos na Vila Belmiro.
Tite entrevista 3 (Foto: Leandro Canônico/GLOBOESPORTE.COM)Tite se considera um treinador da nova geração (Foto: Leandro Canônico/GLOBOESPORTE.COM)
Se no Santos o Neymar faz a diferença, quem faz no Corinthians?
O Liedson, o Dentinho, em ritmo normal, o Willian também pode ser esse jogador, o Bruno César, o Paulinho, surpreendendo de trás. Do meio para frente, nós temos alternativas. Que o time todo esteja bem para fazer uma grande final.
Você já dirigiu grandes clubes, foi campeão da Copa Sul-Americana, da Copa do Brasil... Você se considera um treinador de ponta?
No Brasil, há duas gerações de técnicos. Uma mais experiente, formada por Luxemburgo, Felipão, Muricy. E outra mais nova, com menos tempo no mercado. Eu estou nesse segundo escalão, brigando de igual para igual com os outros.